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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Pai, me ensina a olhar!
Eduardo Galeano em O Livro dos Abraços

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O melhor que o mundo tem está nos muitos mundos que o mundo contém, as diferentes músicas da vida, suas dores e cores: as mil e uma maneiras de viver e de falar, crer e criar, comer, trabalhar, dançar, brincar, amar, sofrer e festejar, que temos descoberto ao longo de milhares e milhares de anos.

Eduardo Galeano

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma certa manhã, deram-me de presente um ratinho de laboratório branco. Vinha dentro de uma gaiola. Ao meio dia, abri a porta da gaiola. Voltei para casa ao anoitecer e encontrei-o tal e qual o havia deixado. Continuava dentro da gaiola, encostado às grades, tremendo por causa do medo da liberdade.

Eduardo Galeano

terça-feira, 5 de junho de 2012

Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Por que todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada.

Eduardo Galeano

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Igreja diz: o corpo é uma culpa. 
A Ciência diz: o corpo é uma máquina. 
A publicidade diz: o corpo é um negócio. 
E o corpo diz: eu sou uma festa. 
 Eduardo Galeano

terça-feira, 24 de abril de 2012

Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.
Eduardo Galeano

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Por que todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada.
Eduardo Galeano

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um homem conseguiu subir ao céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - relevou. - Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto, pega fogo.
Eduardo Galeano

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

 
E serão reflorestados os desertos do mundo 
e os desertos da alma.
Eduardo Galeano

domingo, 20 de novembro de 2011

Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara...
Eduardo Galeano

domingo, 13 de novembro de 2011

Se não nos deixais sonhar, não os deixaremos dormir
Eduardo Galeano

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Eu nasci e cresci debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul. Aonde quer que eu vá, elas me perseguem. Debaixo do Cruzeiro do Sul, cruz de fulgores, vou vivendo as estações de meu destino. Não tenho nenhum deus. Se tivesse, pediria a ele que não me deixe chegar à morte: ainda não. Falta muito o que andar. Existem luas para as quais ainda não lati e sóis nos quais ainda não me incendiei. Ainda não mergulhei em todos os mares deste mundo, que dizem que são sete, nem em todos os rios do Paraíso, que dizem que são quatro. Em Montevidéu, existe um menino que explica: — Eu não quero morrer nunca, porque quero brincar sempre.
Eduardo Galeano

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O melhor que o mundo tem está nos muitos mundos que o mundo contém, as diferentes músicas da vida, suas dores e cores: as mil e uma maneiras de viver e de falar, crer e criar, comer, trabalhar, dançar, brincar, amar, sofrer e festejar, que temos descoberto ao longo de milhares e milhares de anos.
Eduardo Galeano

sexta-feira, 11 de março de 2011

O melhor que o mundo tem está nos muitos mundos que o mundo contém, as diferentes músicas da vida, suas dores e cores: as mil e uma maneiras de viver e de falar, crer e criar, comer, trabalhar, dançar, brincar, amar, sofrer e festejar, que temos descoberto ao longo de milhares e milhares de anos.
Eduardo Galeano

sábado, 21 de agosto de 2010

Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contra-vento, e sou o vento que bate em minha cara.
Eduardo Galeano

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.
Eduardo Galeano

sexta-feira, 4 de junho de 2010

das utopias

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia ? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."
Eduardo Galeano