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sábado, 5 de abril de 2014


E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão.


Chico Buarque

domingo, 30 de março de 2014

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito 
Exijo respeito, não sou mais um sonhador 
Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor 
E dou risada do grande amor.

Chico Buarque

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

O amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho. É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.
Chico Buarque

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Não sei por que
Somente agora você vem
Vem para embaralhar os meus dias.


Chico Buarque

sábado, 13 de abril de 2013

O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes. Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
Chico Buarque

sábado, 23 de março de 2013


Que gente longe viva na lembrança;
Que gente triste possa entrar na dança;
Que gente grande saiba ser criança.


Chico Buarque

domingo, 10 de março de 2013

Lá vou eu de novo, como um tolo, procurar o desconsolo que cansei de conhecer. Novos dias tristes, noites claras, versos, cartas… Minha cara, ainda volto a lhe escrever. Pra lhe dizer que isso é pecado, eu trago o peito tão marcado de lembranças do passado e você sabe a razão. Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto, a maltratar meu coração.
Chico Buarque

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sei que há léguas a nos separar 
Tanto mar, tanto mar 
Sei, também, quanto é preciso, pá 
Navegar, navegar 
Canta primavera, pá 
Cá estou carente 
Manda novamente 
Algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque

domingo, 20 de janeiro de 2013


Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo

Chico Buarque

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem?
Chico Buarque

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza de desinventar.

Chico Buarque

domingo, 25 de novembro de 2012


Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais.


Chico Buarque

quarta-feira, 21 de novembro de 2012


Tenho um peito de lata e um nó de gravata no coração
Tenho uma vida sensata sem emoção
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nos versos desta canção inútil


Chico Buarque

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Eu até que nem gostava
De sair da minha casa
Mas quando eu menos esperava
Parece que criei asa.


Chico Buarque

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
Chico Buarque

sábado, 27 de outubro de 2012

E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar.


Chico Buarque

domingo, 21 de outubro de 2012

Em última análise, não me parecia mais tão grave ficar cego ao lado de Vanda para o resto da vida. Iria com ela à praia, ao hospital, à biblioteca, ao restaurante, a Londres, atrás da sua voz iria de bom grado a qualquer parte. Desembaraçado da visão, com maior tino perceberia se ela estava alegre, se estava mentindo, se tinha dó de mim, se cochichava ao telefone, se sentia vergonha de ter marido cego. E ela me leria cada noite um novo livro, e me cobriria as pálpebras com umas compressas que só me serviriam para gostar ainda mais dela. Às vezes as compressas estariam fervendo, ou embebidas em limão; às vezes a Vanda resolveria passar vários dias muda, para me ver andando às tontas; às vezes leria do livro só as páginas pares, mas eu jamais reclamaria de coisa alguma, nem de ela estar envelhecendo, adquirindo como que rugas na voz. Eu fingiria não notar que de quando em quando ela chorava pelos cantos, ora por ter ficado velha, ora por ter desperdiçado a vida a guiar um parasita.
Chico Buarque

domingo, 7 de outubro de 2012


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Apesar de você, amanhã há de ser um outro dia.
Chico Buarque